Um pouco antes da pandemia de Covid-19 parar o mundo, um animal-mascote tomou – surpreendentemente – conta dos cinemas nos primeiros meses do ano. Sonic The Hedgehog é o ouriço azul que vendia a rebeldia das consolas da Sega nos anos 90. Não tardou a ocupar outros domínios, rapidamente se tornou uma série de televisão e, nos últimos 30 anos, fez parte do imaginário de diferentes gerações.

Agora que chegou o verão, e aos poucos vão abrindo os cinemas e estreando novos filmes, vem aí outro animal que habita na mente de ainda mais gerações: Scooby-Doo. O cão medroso da Hanna-Barbera fez, o ano passado, 50 anos e, se o leitor andou por aqui nessas cinco décadas e ligou a televisão, com certeza em algum momento se cruzou com aquele que é – muito provavelmente – o dogue alemão mais famoso do mundo e o seu gangue, composto por Shaggy, Fred, Daphne e Velma. A série de desenhos animados, criada em 1969, já conheceu diversas versões: algumas delas passam atualmente no canal Boomerang (disponível apenas na Vodafone e na Nowo).

Por incrível que pareça, Scooby! – O Filme é a primeira longa-metragem de animação deste grupo de adolescentes com um cão que anda sempre à procura de fantasmas e de histórias sobrenaturais. E não, não estamos enganados: as adaptações de 2002 e 2004, Scooby-Doo e Scooby-Doo 2 – Monstros à Solta, tinham atores de carne e osso e não deixaram grande memória.

Porquê agora? A pergunta certa é: e porque não? Os animais resultam no cinema, para miúdos e graúdos. Além disso, o salto de uma série de animação da televisão para o grande ecrã costuma ser uma fórmula que carrega algum sucesso/dinheiro. Mesmo quando são versões que não deixam grande memória, como as anteriores adaptações de Scooby-Doo ou de Flintstones em 1994, Inspector Gadget em 1999 ou Garfield em 2004. Contudo, nem tudo são rosas: houve casos, como Velocity Racer (1998), dos irmãos (agora irmãs) Wachowski, de adaptações demasiado ambiciosas e que fracassaram tanto ao nível de bilheteira como de crítica.

O cinema projeta no imaginário a ideia de que se vai contar a história que nunca se viu ou como nunca se viu, o que é irresistível. Por vezes não passa de uma rasteira e é só um episódio mais longo muito bem contado. Nesse campo, não existirá melhor exemplo do que o filme dos Simpsons (2007) ou, mais recentemente, e mais para miúdos do que para graúdos, as adaptações de Teenager Titans Go! (2018) ou The Lego Ninjago (2017).

Certo é que, se outros conseguiram no passado recente, agora chegou a vez de Scooby-Doo tentar a sua sorte, mesmo que seja mais de 50 anos depois da sua estreia na televisão. Tratando-se de um filme, vai além de uma história de mistério e há o clássico tom de salvar o mundo pelo meio, mas também revelações – como, por exemplo, a forma como Shaggy e Scooby se conheceram.

https://www.youtube.com/check out?v=P9mSVDm1GeM

Scooby! – O Filme
De Tony Cervone
EUA animação M/6 93m